vida inteligente no cinema independente

Eu, você e todos nós foi uma bela surpresa pra quem nem sabia o que esperar desse pequeno filme. É um filme que encanta pelo talento novo da cineasta. É bom sentir um sangue novo correndo nas veias do cinema independente americano. E é com simplicidade que ela cria situações curiosas e que são deliciosas de assistir. O filme começa muito bem e acho que patina um pouquinho no final, mas como resultado temos essa despretensão muito gostosa. Essa cena, pra mim um Acossado moderno, é uma pequena jóia de idéia e diálogo, maravilhosamente atuada por eles. Cinema que dá gosto de ver.
Escrito por lu canton às 14h41
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Monika

Ontem eu revi "Monica e o Desejo" do Bergman. Como tenho querido estudar dramaturgia, tem melhor professor do que este monstro do cinema? Aqui, ainda existe muita influencia do neo realismo, e o Bergman ainda não tinha encontrado a sua veia das grandes investigações psicológicas. Ao contrário dos filmes posteriores, a mulher não é a que tem mais profundidade, é o garoto. Monica é sempre superficial e vista de fora, seja como objeto de desejo, seja como lembrança do garoto. A nudez é deslumbrante pois se dá em dois tempos: O tempo presente, e o tempo da lembrança. Neste segundo, cena que fecha o filme, entendemos todo o sentimento do garoto. E é de cortar o coração!
Godard adora esse filme e tenho certeza, foi sua inspiração numero um para Pierrot le Fou. A viagem do casal é uma viagem de libertação, mas também de limites, e se esgota, como a relação também se esgota. Fica a consciência e o coração partido do garoto.
O verão e a sensualidade delirantes deste filme terminam na realidade do dia a dia e da banalidade de Monica. Mas o que brilha nos olhos do garoto com o filho no colo é a lembrança viva daquela nudez.
Pronto, contei o filme inteiro pra quem não viu. Mesmo assim, veja.
Escrito por lu canton às 12h54
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lição de simplicidade

Ontem fui ver Buenos Aires 100 km, e saí pensando em quanto temos que aprender com o cinema argentino. A começar, com essa praga do cinema "periferia" que se instaurou no cinema brasileiro, graças ao Cidade de Deus. Gente, JÁ DEU! Nossa senhora. Até o Bruno Barreto vai ficcionar a história do ônibus 174. CHEGA! Eu, que não sou perfil de atriz dessa tão adorada "periferia" dos cineastas fico sem trabalho! ASSIM NÂO DÁ!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Agora por que esse filme é tão legal. Fora do grande centro, Buenos Aires, está uma cidadezinha onde moram 5 amigos adolescentes. A gente lembra de os Boas Vidas, só que mais jovens, e também muito do Bom Dia do Ozu, só que mais velhos. O filme é um conto leve e tocante da vida deles, profundo em sua simplicidade, ao explorar as relações dos meninos com as famílias. Sem querer passar uma mensagem, o filme toca por abordar essa época da vida, as relações sociais, e o amadurecimento pessoal. Cada época da vida é um tempo, e o filme fala disso com muita propriedade. Não perca. E CHEGA DE CINEMA DE PERIFERIA CINEASTAS BRASILEIROS!!!!!!!!!!!!
Escrito por lu canton às 11h48
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crônica de atores errantes.
Ao entrar no teste de um musical, a gente vê uma fauna de atores. No instante que entrei, todos te olham, você olha todos. E eu já faço testes tão alienada do sentimento de passar ou não que consigo ver todas as esperanças deles, todas as ilusões, todos os sonhos dentro daquela sala. Consigo ver talento, ambição e mediocridade. Tudo em segundos. É como se um scanner meu intuísse todas aquelas ilusões e sonhos. Penso então, eu sou tudo isso, mas não sou mais nada disso. A moça do casting me diz que as inscrições estão encerradas. Aquela notícia me dá até alegria. Não vou passar horas esperando naquela sala cheia de sonhos. Agradeço, e vou embora.
Escrito por lu canton às 12h23
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o rosto
Como é possível um policial não poder mostrar o rosto. Estamos todos chocados e tristes pela barbárie que tomou conta de São Paulo.
De que vale ser um artista nessas horas? Me sinto tão impotente. Acho que todos se sentem assim, até os policiais.
Nossa polícia não pode mostrar o rosto. Então, quem pode?
Essa orgia de violência expõe nossa verdadeira face. Somos bárbaros, insanos, irresponsáveis, indiferentes.
Escrito por lu canton às 16h28
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O Cabaré dos Quase Vivos, ou o dia em que uma marionete me fez chorar.

Juro. É teatro para adultos o que o grupo Sobrevento faz. A peça em cartaz no centro cultural SP é um encanto e tem a sabedoria de intercalar momentos cômicos nos atores "reais" e o drama, que está nas cenas com as marionetes. Entramos num mundo tão mágico e verdadeiro, tão naturalista e delicado, que essas marionetes nos fazem lembrar mais de nós mesmos do que se fossem atores reais.
Lindo, lindo, lindo de morrer!
Escrito por lu canton às 17h57
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Árido Movie, que deveria se chamar Todo Mundo Fuma Maconha
Deus me livre de filmes ruins como esse! O QUE FAZ OS CINEASTAS "cabeças" SE FIXAREM NO PIOR DO CINEMA NOVO????? Cadê a teatralidade do Glauber, ou a modernidade, ou o classissismo de filmes como "Vidas Secas"? Porque revisitar o sertão tem que ser tão raso????
A começar, pela péssima atuação do Guilherme Weber... parece que falaram para ele que interpretar no cinema é mínimo, que é não fazer nada. Pois é. Ele está quase inumano e totalmente inexpressivo, não joga em cena... fora que os personagens não se desenvolvem, o filme não vai para lugar nenhum... é fetichista nas imagens, cheio de referências, mas o que propõe é vazio e inconsistente. Nada acontece nessa "saga" sem brilho e sem consistência. Ótimos atores somem neste roteiro sem dramaturgia. CADÊ O BOM CINEMA BRASILEIRO??????????????????
Escrito por lu canton às 17h46
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Bons filmes
Tenho visto bons filmes, ainda bem! Adorei Três Enterros, do Tommy Lee Jones. O cara não só é um SUPER ator como mandou muito bem nesta história simples, engraçada e cativante. Eu resumiria o filme assim:"como um homem se torna um homem". É uma delícia ver a transformação do personagem TRASTE em gente. Vale a pena!
Amei também Tapete Vermelho, com o Mateus-tudo que um ator pode ser-Natchergale. O filme começou e achei que fosse ser um lixo pela lentidão e precariedade de produção. Nossa, mas que delícia de filme! Não vou falar muito pra não estragar. Tem que ver. Acabou a sessão, as pessoas aplaudiram. É que a Gorete Milagres tava na platéia. Isso, somado a candidez deste filme, tornou a noite realmente encantada. Yes, nós temos e amamos nosso cinema!
Escrito por lu canton às 12h06
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O Plano Perfeito, filme do Spike Lee, é uma frustração para quem espera algo além de um mero filme policial. O Spike Lee não ousa e não chega a lugar nenhum nesse filme neutro e sem graça. E claro que a gente vai esperando a pegada maravilhosa do diretor, seja pela inteligência dos primeiros filmes, seja pela emoção deste último, A última noite. Tudo é previsível e bobo nesse filme. Ótimos atores, ótima produção, mas nada de arriscar, nada de empurrar o envelope nem que seja um pouquinho. Fica-se, sim, morrendo de saudades de bons filmes de roubos de banco, a começar pelo do Lumet, como chama mesmo, Um dia de cão. Tudo é convencional e previsível e no fim a gente se levanta da cadeira se arrependendo de não ter tirado o filme no vídeo, ao invés de ter ido no cinema.
CRASH é um filme interessante e que trata o racismo de maneira nua e crua. Gostei dessa abordagem do filme. Apesar de ser um filme que não passa da média, Crash tem bons momentos, e um ator pelo qual caí de amores, o Don Cheale, o negão. Ele é simplesmente SENSACIONAL, e seu personagem vale o filme inteiro. Bons diálogos, boa música, boa direção garantem um filme interessante e que trata seu tema com uma sinceridade incomum. Recomendo.
Escrito por lu canton às 15h18
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Ontem assisti Rumo a Cardiff, direção do André Garolli. Achei bem interessante e é inegável o talento de encenador do Garolli. Mas apesar da exuberância visual e da seriedade de sua proposta, falta culhões pra peça. Parece que o diretor se perde no formalismo, em vez de apostar no trabalho dos atores e na dramaturgia. OK, estou exagerando. Os atores são fantásticos, principalmente o velho, quem é aquele sujeito, arrasou. Mas a peça itinerante, apesar de guardar um frescor e ter uma preparação de elenco impecável, parece deixar a essência do texto para segundo plano. Assim, a cena principal se arrasta; tempos mortos desnecessários; mas ainda assim, tira-se o chapéu para o talento de encenador de Garolli. A cena inicial é um triunfo da contra-regragem: por uma porta, vemos toda a ação do navio, numa overture deslumbrante. Depois temos um segundo tempo no palco, onde achei meus amigos do elenco, que é razoável, falado numa língua estranha (?não entendi.) Depois o que poderia chamar de segundo ato, falado em português, onde se desenrola a acão. Esse ato fica exatamente embaixo do palco. O calor sufocante, a névoa, tudo é bem feito. As atuações excelentes também não deixam a desejar. Então porque se sai de Rumo a Cardiff achando que ele não chegou onde deveria? Minha resposta é a de que a plástica deve vir depois da dramaturgia, nunca antes. Um esteta de primeira, Garolli ainda precisa transpor essa ponte para ir aos fundamentos da vida. Quando ele chegar na essência da dramaturgia, a plástica do espetáculo será apenas uma adorável consequência. A beleza vem por consequência, não como resultado almejado. Na minha humilde opinião.
Escrito por lu canton às 16h32
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Porque bang bang é tão ruim. É simplesmente constrangedor assistir bang bang. Para começar, o esmero da produção de alma gringa dá vontade de chorar. Quem teve a infeliz idéia de fazer uma novela no velho oeste não entendeu que folhetim brasileiro não ginga com o cinema americano. Tudo é constrangedor. O pior são os nomes americanos dos personagens! Ah, essa fórmula velha de 3 novelas no horário nobre, que eu espero, possa ser quebrada por uma nova geração com programas mais dinâmicos, engraçados, e menos melodramáticos. A das oito é ruim também mas por outros motivos. Quem se interessa por perda e recuperação de patrimônio? Que tema chato! Que saudades do Manoel Carlos e daquela mãe da Daniela Perez. Pelo menos, eles refletem algumas questões pertinentes no Brasil hoje. O Gilberto Braga fez Anos Dourados e Anos Rebeldes e por isso seremos eternamente gratos a ele. Mas francamente? Heroína que vai retomar a fortuna? Sidney Sheldon demais pro meu gosto.
Escrito por lu canton às 12h06
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devagar, lentamente, denso, findo.
Pra que a coerência. Afinal agora o nome do blog me permite o delírio.
A densidade das coisas, a aparência do mundo. A minha falta de vento. Virei poeta? Haha quem me dera. Só parece que não sei mais escrever. Segunda feira morta de poesia e varizes. Varizes? De onde veio isso? Uma ameaça distante e genética, besta. E nada que umas injeçõezinhas que doem pra burro não resolvam.
Como cheguei nas varizes? Não penso. Estou atrelada a uma manada de lobos voadores do centro da terra. Enlouqueci? Quisera eu. Estou mais normal do que nunca.
Tudo cai, tudo despenca, e eu giro feito louca sem conseguir me colocar no mundo, nas coisas, nas conversas mais prosaicas. As coisas têm sua própria lógica que eu observo de longe.
Um vidro entre eu e o mundo? Tudo caindo e eu protegida, sem viver, sem sentir, sem sentimento, sem nada.
No precipício, e a coragem de se jogar. Mas é preciso. Se atirar no mundo, finalmente.
Escrito por lu canton às 17h14
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putz, acabei de fazer o maior conto legal sobre minha primeira vez no Morumbi, e esse blog apagou. Aguardem bater nova inspiração.
Escrito por lu canton às 17h27
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Antigo SENTE O DRAMA...
Olá meus queridos saudosos do SENTE O DRAMA! Estou começando esse novo blog, DELICADAMENTE DELIRANTE. 
Escrito por lu canton às 11h38
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